Dom Hélder Câmara é incluído no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

O nome de Dom Hélder Câmara, arcebispo emérito de Olinda e Recife, passou a integrar o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O reconhecimento foi oficializado por meio da Lei 15.242, sancionada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), e publicada no Diário Oficial da União. A homenagem, proposta pelo senador pernambucano Fernando Dueire (MDB), inclui o religioso entre as personalidades que contribuíram de forma significativa para a história e os valores do Brasil.

Criado em 1992, o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria é formado por páginas de aço que reúnem nomes e biografias de figuras notáveis, exposto no Panteão da Pátria, em Brasília. Dom Hélder, nascido em Fortaleza em 1909, viveu grande parte da vida em Pernambuco, onde liderou a Igreja Católica entre 1964 e 1985. Reconhecido como símbolo da luta pelos direitos humanos e pela justiça social, o arcebispo deixou um legado de fé e compromisso com os mais pobres.

Além de sua atuação religiosa, Dom Hélder também foi escritor e poeta, com um acervo de mais de 220 mil páginas de textos, cartas e poesias, hoje tombado pelo governo de Pernambuco. Indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 1990 pela campanha “Ano 2000 Sem Miséria”, o religioso faleceu em 1999, no Recife, e está sepultado na Catedral da Sé, em Olinda. Seu processo de beatificação, aberto em 2015, reforça o reconhecimento de sua trajetória como um dos maiores humanistas da história brasileira.
 

Prefeitura convoca Fórum para eleger novas entidades do Conselho da Pessoa Idosa em São José do Egito

A Prefeitura de São José do Egito, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, publicou o Edital de Convocação nº 001/2025 para o Fórum Municipal que elegerá as organizações não governamentais representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (CMDPI) para o biênio 2025–2027.

O encontro está marcado para o dia 31 de outubro de 2025, às 9h, nas dependências da Secretaria de Assistência Social, localizada na Rua Dr. Arlindo Leite Lopes, nº 52, Centro. O processo será fiscalizado pelo Ministério Público de Pernambuco, conforme determina a legislação vigente.

O Fórum tem como objetivo escolher quatro entidades da sociedade civil, com seus respectivos suplentes, que irão compor o CMDPI, garantindo a paridade entre as representações governamentais e não governamentais. Poderão participar organizações legalmente constituídas e em atividade no município, que desenvolvam ações voltadas à promoção e defesa dos direitos da pessoa idosa.

As inscrições estão abertas de 21 a 30 de outubro, das 8h às 12h, na sede da Secretaria de Assistência Social. As entidades interessadas devem apresentar cópias do CNPJ, estatuto social, ata da atual diretoria, comprovante de endereço, relatório de atividades e a indicação formal de seus representantes titular e suplente.

Serão consideradas eleitas as quatro organizações mais votadas no Fórum, e o resultado será homologado pelo prefeito municipal. Casos omissos serão analisados pela Comissão Organizadora designada pela Secretaria de Assistência Social.

Menino de 13 anos com mais de 20 passagens pela polícia é assassinado a tiros

A madrugada de segunda-feira (27) foi marcada por mais um episódio de violência em Marabá, no Pará. Um adolescente de 13 anos, identificado como Elias Brito de Oliveira, foi morto a tiros no bairro Liberdade, em uma ação que chocou moradores e levantou novamente o debate sobre a crescente vulnerabilidade de jovens na região.

De acordo com informações do 34° Batalhão de Polícia Militar (BPM), o crime aconteceu por volta das 3h20. Elias estava na rua acompanhado de dois amigos quando dois homens em uma motocicleta preta, possivelmente uma Honda 160, se aproximaram e abriram fogo. O adolescente foi atingido e morreu ainda no local. Os outros dois jovens conseguiram fugir sem ferimentos.

Equipes da Polícia Militar foram acionadas e isolaram a área até a chegada da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, que iniciou as investigações para identificar os suspeitos e apurar a motivação do crime.

Apesar da pouca idade, Elias já tinha um histórico de atos infracionais, incluindo registros por furtos, roubos e posse de drogas somando mais de 20 ocorrências na delegacia. O adolescente também havia sobrevivido a uma tentativa de homicídio em fevereiro deste ano.

Há cerca de seis meses, um vídeo circulou nas redes sociais mostrando o jovem agredindo uma mulher durante um roubo, o que aumentou a preocupação da família. A mãe de Elias chegou a procurar o Ministério Público para registrar uma ocorrência de ameaça de morte, temendo que o filho fosse assassinado.

Fonte: Petrolina em Destaque

Mãe de bebê abandonado em Buíque contou à polícia que pai da criança não aceitou gravidez

 Foto: Reprodução/Hospital Municipal Maria Deci Macedo Valença

A mulher suspeita de abandonar o próprio filho recém-nascido em uma área de vegetação em Buíque, no Agreste de Pernambuco, contou à Polícia Civil que o pai da criança não aceitou a gravidez. Segundo o delegado Adriano Ferro, ela morou em São Paulo por nove anos e voltou para Pernambuco depois que o homem com quem se relacionava se recusou a assumir o bebê.

“Ela veio de São Paulo para cá, que é natural daqui, e sabendo que não tinha um pai para cuidar do filho, tomou essa atitude”, disse o delegado em entrevista à TV Asa Branca.

O bebê foi abandonado no último sábado (25) e encontrado cerca de uma hora depois. De acordo com a investigação, a mulher entrou em trabalho de parto durante o trajeto para o hospital e pediu aos familiares que parassem o carro, dizendo que precisava defecar. Ela se afastou da estrada e, naquele momento, deu à luz em uma área de vegetação.

Após o parto, a mulher retornou ao veículo e seguiu para o Hospital Municipal Maria Deci Macedo Valença informando aos profissionais de saúde que estava com cólicas e sangramento menstrual. Durante o atendimento, uma técnica em enfermagem percebeu a presença de uma placenta e suspeitou que a paciente havia acabado de dar à luz. Ao ser questionada, a mulher inicialmente negou, mas depois admitiu o parto e indicou o local onde a criança havia sido deixada.

Segundo o delegado Adriano Ferro, o bebê foi encontrado ainda com vida, coberto por folhas, em uma área de capim alto na zona rural de Buíque.

“É necessário saber agora, detalhar melhor as informações, saber o que levou, de fato, essa mãe a praticar esse ato cruel de abandonar uma criança numa zona rural e colocar folhas por cima dessa criança, na intenção de que essa criança iria morrer”, disse.

A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o caso. As investigações buscam esclarecer se houve abandono de incapaz ou tentativa de infanticídio. Familiares e outras pessoas próximas à mulher devem ser ouvidos nos próximos dias.

Ao g1, o hospital disse que após os atendimentos iniciais, a mãe e o bebê foram encaminhados e acolhidos na Maternidade Alcides Cursino, onde ambos permanecem internados, recebendo acompanhamento médico e passam bem.

Justiça nega recurso e mantém condenação de ex-vereador por usar marca Patati Patatá sem autorização

Foto: Sérgio Pedreira/Ag. Picnews

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) negou um recurso e manteve a condenação do ex-vereador Rivaldo Moraes da Silva Filho, conhecido como Neinho do Povo (PV), por usar sem autorização a marca da dupla de palhaços Patati Patatá. Ele era parlamentar na cidade de Igarassu, no Grande Recife.

Conforme consta na decisão, a marca foi usada num evento de Dia das Crianças e em material de divulgação da ação social. Também foi condenada a Brink Park Diversão, contratada pelo ex-vereador para locação de brinquedos e show dos palhaços, que, segundo a empresa, eram “covers”. Os réus terão que pagar indenização de R$ 5 mil por danos morais.

O evento ocorreu em 2019 e a primeira condenação foi proferida em 2022. Os réus recorreram da decisão e, em outubro deste ano, o recurso foi negado pelos desembargadores da 4ª Câmara Cível do TJPE.

O processo foi movido pela empresa Rinaldi Produções e Publicidade LTDA, que é dona da marca Patati Patatá. A empresa diz que, assim que tomou conhecimento que o evento aconteceria, notificou o então vereador sobre a ilegalidade e pediu que não utilizasse a imagem dos palhaços.

Mesmo assim, o evento foi realizado, o que motivou a ação judicial. No processo, Neinho do Povo disse que apenas contratou a empresa Brink Park Diversão.

Entretanto, a Rinaldi Produções e Publicidade alegou que ele utilizou de forma indevida a imagem dos palhaços, pois “além de organizar o evento, fez ampla divulgação do mesmo, distribuindo folders com a reprodução dos desenhos e imagens dos palhaços, utilizando-se da marca para atrair o público infantil”.

A empresa pediu R$ 45 mil em indenização por danos morais. Na sentença em primeira instância, o juiz Marco Aurélio Mendonça de Araújo condenou os réus ao pagamento de R$ 5 mil em danos morais e a se absterem de usar a marca Patati Patatá.

Na decisão em segunda instância, os desembargadores acordaram que o organizador do evento “utiliza indevidamente marca registrada” e “responde solidariamente por danos morais, ainda que não seja o executor direto da apresentação”.

g1 tentou, mas não obteve contato com o ex-vereador e com a empresa Brink Park.

Influenciador digital Rei do Fuá é assassinado com 17 tiros no Ceará

O influenciador Gefferson Willian dos Santos, conhecido nas redes sociais como Rei do Fuá, foi morto, nesse domingo (26/10), com ao menos 17 tiros. O crime ocorreu em frente à casa dele, no Bairro Sol Nascente, na cidade de Brejo Santo, no interior do Ceará.

Rei do Fuá era conhecido por publicações de fofocas e críticas voltadas para empresários, políticos e demais personalidades da cidade.

Em janeiro, o influenciador havia informado que foi alvo de um atentado a tiros. Na ocasião, segundo o relato, cerca de 30 disparos foram efetuados contra a sua residência e o seu veículo. “Estou feliz e bem, e não vão conseguir calar minha voz”, afirmou em um vídeo publicado em seu Instagram.

Gefferson era uma figura polêmica na região por causa dos conteúdos publicados. Ele era reú por difamação e tinha processos por calúnia.

A Polícia Civil segue investigando o caso.

Fonte: Metrópoles

Lula lidera cenários para 2026 à frente de Michelle e Tarcísio

Paraná Pesquisas mostra petista à frente em simulações de 1º e 2º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança em todos os quatro cenários de 1º turno das eleições presidenciais de 2026, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (27) pelo instituto Paraná Pesquisas.

O levantamento testou Lula contra diferentes nomes do campo da direita, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Também participaram das projeções o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).

No cenário mais competitivo, Lula tem 37% das intenções de voto e Bolsonaro 31%, com uma diferença de 6 pontos percentuais. O ex-presidente, no entanto, está inelegível após condenações no TSE.

Quando o nome testado é o de Flávio Bolsonaro, a distância aumenta: Lula tem 37,6%, e o senador soma 19,2%.

Cenários de 2º turno

Nas simulações de segundo turno, Lula aparece tecnicamente empatado com seus principais adversários. Contra Jair Bolsonaro, o petista marca 44,9% e o ex-presidente 41,6%. O mesmo resultado se repete no confronto com Michelle Bolsonaro, que também pontua 41,6%.

Em disputa com Tarcísio de Freitas, Lula aparece com 44,9% e o governador paulista com 40,9%. O maior distanciamento ocorre frente a Flávio Bolsonaro, que tem 37%, ante 46,7% do atual presidente.

Bolsonaro fora da disputa

Caso Jair Bolsonaro permaneça impedido de concorrer, o governador Tarcísio de Freitas e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro são os nomes com maior potencial de herdar seu eleitorado.

Segundo a pesquisa, 23,3% dos eleitores votariam em Tarcísio, e 21,3% em Michelle. Outros 22,4% disseram não escolher nenhuma das opções. Também foram testados Ratinho Junior (PSD), Ronaldo Caiado (União), Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A pesquisa foi realizada entre 21 e 24 de outubro de 2025, com 2.020 entrevistados em 26 estados e no Distrito Federal, abrangendo 162 municípios. O intervalo de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Fonte: Blog do Didi Galvão

Governadora Raquel Lyra visita Instituto Tecnológico da Dinamarca e é recebida na Embaixada do Brasil em Copenhague

Encerrando a missão internacional, a governadora Raquel Lyra visitou, nesta segunda-feira (27), o Danish Technological Institute (Instituto Tecnológico da Dinamarca – DTI), em Copenhague. A agenda, promovida pelo Senai Pernambuco, foi também acompanhada por secretários estaduais e uma comitiva de empresários da Fiepe, e teve como foco a construção de parcerias voltadas à inovação industrial, transferência de tecnologia e qualificação profissional para impulsionar o ecossistema de inovação de Pernambuco. A gestora ainda foi recebida na Embaixada do Brasil em Copenhague.

“Encerramos nossa missão na Dinamarca com a certeza de que Pernambuco está no caminho certo. Buscamos parcerias que geram inovação, emprego e desenvolvimento sustentável. Estamos conectando o que há de mais avançado no mundo à capacidade e ao talento dos pernambucanos”, destacou Raquel Lyra.

ARTICULAÇÃO  Antes de visitar o Instituto, a chefe do Executivo estadual se reuniu com o embaixador do Brasil em Copenhague, Leonardo Nogueira Fernandes. Na ocasião, a governadora agradeceu a articulação da Embaixada junto a empresas e instituições durante a visita da comitiva pernambucana na Dinamarca.

“A vinda para a Dinamarca nos dá a oportunidade de consolidar o que é, hoje, o maior investimento em descarbonização de arranjos logísticos. Ser acolhida da forma como fomos nos dá ainda mais encorajamento para seguirmos adiante”, agradeceu a governadora Raquel Lyra.

“Nós estamos honrados com essa visita da comitiva pernambucana, acompanhamos agendas muito positivas. A Embaixada teve a oportunidade de colaborar com a construção da agenda, celebrando essa integração entre Pernambuco e a Dinamarca, além dos interlocutores de grandes empresas”, comentou o embaixador do Brasil na Dinamarca, Leonardo Nogueira Fernandes.

Acompanharam a agenda da governadora o presidente da Fiepe, Bruno Veloso e o vice, Massimo Cadorin, o presidente do Sindacucar, Renato Cunha e o vice presidente do Grupo Atitude, Marcelo Guerra .

Durante a visita no Instituto Tecnológico estiveram presentes os diretores da Fiepe, Sebastião Pontes e Carolina Peixoto; o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado de Pernambuco (SIMMEPE), Alexandre Valença; o representante da Moura, Washington Araújo; assim como Sérgio Boudoux, diretor da Essential Indústria, Camila Barreto, diretora regional do Senai acompanhada de equipe técnica.

Na comitiva do Governo de Pernambuco, estiveram presentes os secretários estaduais João Salles (Assessoria Especial e Relações Internacionais) e André Teixeira Filho (Mobilidade e Infraestrutura), assim como as secretárias Rayane Aguiar (Relações Internacionais) e Daniella Brito (Imprensa).

Vanessa Rios, ex-vocalista das bandas Capim com Mel, Forró do Muído e Kitara, morre no Recife, aos 42 anos

Morreu no Recife, aos 42 anos, a cantora de brega e forró Vanessa Rios, ex-vocalista de bandas como Kitara, Capim Com Mel e Forró do Muído. A informação foi confirmada, neste domingo (26), pelo grupo Capim com Mel.

Segundo a banda de forró, a artista estava internada no Hospital Santa Joana, no bairro das Graças, na Zona Norte da cidade, onde se tratava de um câncer pulmonar. Ela faleceu na noite do sábado (25).

Vanessa deixa uma filha de 16 anos. O velório de Vanessa Rios está marcado para a segunda-feira (27), a partir das 16h, no Cemitério Memorial Guararapes, no bairro de Jardim Jordão, em Jaboatão dos Guararapes.

Nascida no dia 29 de julho de 1983, a cantora cresceu em Candeias, bairro de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Ela começou fazendo carreira solo e, depois, passou a integrar a banda Boa Toda. Foi no grupo que a artista gravou seu primeiro sucesso, “Lençol vermelho”, lançado em videoclipe de 2012.

Em 2014, participou do concurso promovido pela TV Globo e foi escolhida como vocalista da banda Kitara após a saída de Carla Alves. Depois de vencer a competição, ela se apresentou com a Kitara no programa “Esquenta”, apresentado por Regina Casé.

Em abril deste ano, Vanessa relembrou a participação vitoriosa no concurso, em uma entrevista para o especial de 60 anos da TV Globo exibido pelo NE1.

“Voltou, assim, o filme de quando eu ganhei, né? É muito emocionante você cantar uma música e ter a resposta do público”, disse.

Vanessa Rios ficou um ano na banda Kitara. Depois disso, ela passou pelo Forró do Muído e, em seguida, foi para a Capim com Mel, onde permaneceu por cinco anos.

Repercussão

Nas redes sociais, a banda Capim com Mel afirmou que agradece a Vanessa “pelo profissionalismo, dedicação e legado deixado”.

Em outra postagem, o vocalista da Kitara, Rodrigo Mell, também lamentou a morte da ex-companheira de banda.

“Você foi uma verdadeira campeã nessa vida. Que Deus te receba em paz”, escreveu.

A banda Forró do Muído publicou uma foto de Vanessa com a frase: “Deixamos aqui o nosso profundo pesar por essa artista incrível que já fez parte da história do Forró do Muído”.

A cantora Bia Villa-Chan também lamentou a partida de Vanessa. “Deixa um grande exemplo de amor à vida e resignação. Tive pouco contato com ela, mas foi de um aprendizado gigante! Que a espiritualidade te receba”, escreveu em comentário no Instagram.

Carla Alves, que foi vocalista da Kitara antes da passagem de Vanessa na banda, publicou uma foto da artista nos stories, com a legenda: “Descanse em paz, minha amiga. Você foi uma grande guerreira”.

Covid-19 deixou 149 mil crianças e adolescentes órfãos em 2020 e 2021

Foto: Altemar Alcantara/Semcom/Prefeitura de Manaus

Além dos mais de 700 mil mortos pela covid-19 no Brasil, há outras 284 mil vítimas indiretas: crianças e adolescentes que perderam os pais, avós ou outros familiares mais velhos que exerciam papel de cuidado em suas residências. O número se refere somente a 2020 e 2021, os piores anos da pandemia. Entre elas, 149 mil perderam o pai, a mãe ou os dois.

A estimativa é de pesquisadores ingleses, brasileiros e americanos, que acabam de lançar um estudo para demonstrar não somente a “magnitude da orfandade no Brasil”, como também “as grandes desigualdades entre os estados”.

Uma das autoras do estudo, a professora do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo Lorena Barberia destaca que os impactos de uma emergência sanitária são identificados primeiro entre as vítimas diretas, mas há também aqueles que são afetados por essas mortes.

“Nós quisemos olhar a vulnerabilidade das pessoas que dependem de quem faleceu. Achamos super importante lembrar que as pessoas acima de 60 anos não só tinham mais chance de morrer, mas, muitas vezes, tinham um papel na estrutura familiar muito decisivo. Muitas crianças e adolescentes dependiam dessas pessoas. Então, pensamos que tínhamos que considerar essas estimativas, tanto de pais e mães como desses responsáveis”.

A partir de modelos estatísticos, alimentados por dados demográficos, como a taxa de natalidade e o excesso de mortalidade ─ mortes acima do esperado ─ em 2020 e 2021, a pesquisa chegou a algumas estimativas:

  • Cerca de 1,3 milhão de crianças ou adolescentes, de 0 a 17 anos, perderam um ou ambos os pais, ou algum cuidador com quem elas viviam, por razões diversas; 
  • Dessas, 284 mil se tornaram órfãos ou perderam esse cuidador por causa da covid-19;
  • Com relação apenas às mortes por covid-19, 149 mil crianças e adolescentes se tornaram órfãos e 135 mil perderam outro familiar cuidador
  • 70,5% dos órfãos perderam o pai; 29,4%, a mãe; e 160 crianças e adolescentes foram vítimas de orfandade dupla;
  • 2,8 crianças ou adolescentes a cada 1 mil perderam um ou ambos os pais, ou algum familiar cuidador por covid-19;
  • Entre estados, as maiores taxas de orfandade são as do Mato Grosso (4,4), Rondônia (4,3) e Mato Grosso do Sul (3,8), enquanto as menores são do Rio Grande do Norte (2,0), Santa Catarina (1,6) e Pará (1,4). 

Órfãos reais

Em 2021, Ana Lúcia Lopes, hoje com 50 anos, perdeu o companheiro, o fotógrafo Cláudio da Silva, o que fez com que seu filho, Bento, que tinha 4 anos, ficasse órfão de pai. Ela lembra que esses números dizem respeito a crianças e adolescentes reais, que sofreram e continuam sofrendo com as mortes de seus entes queridos. 

Ana Lucia, Claudio e Bento Foto: Ana Lucia/Arquivo Pessoal

Sem nenhum fator de risco para a doença, ele tinha 45 anos e foi infectado durante uma viagem a trabalho. Com sintomas respiratórios, foi internado em uma quinta-feira, entubado na sexta e não resistiu após uma parada cardíaca, na segunda-feira seguinte. Nem pode rever o filho, após os dois meses de trabalho fora de casa. 

“Eu contei para o Bento logo que aconteceu. A gente tinha um cachorrinho que morreu um pouco antes. Aí, eu falei para ele que o cachorrinho precisava de alguém lá no céu para cuidar dele e que o papai tinha ido fazer isso. Às vezes ele me via chorando e falava: “Mãe, você tá chorando por causa do meu pai?”.

“Apesar de tudo, no começo, ele parecia bem. Um tempo depois, quando ele foi mudar de classe na escola, ele começou a chorar bastante, porque não queria perder a professora. Aí, eu perguntei o que ele estava sentindo, e ele disse: ‘Ah, mãe, acho que eu queria o meu pai’. Foi quando ele começou o atendimento psicológico”.

Cláudio recolhia a contribuição previdenciária referente ao seu trabalho como microempreendedor individual, o que garantiu a Bento a pensão por morte e evitou que a família passasse por problemas financeiros. De acordo com outra autora do estudo, a promotora de justiça da cidade de Campinas (SP) Andréa Santos Souza, os problemas financeiros são os mais frequentes em situações de orfandade.  

Violações de direitos

Durante a pandemia de covid-19, o trabalho de Andrea Santos Souza, que atua na área de Infância e Juventude na cidade de Campinas (SP), estava bastante focado na proteção das crianças e adolescentes afetados pelo fechamento das escolas, pela miséria pandêmica, ou pela crescente violência familiar. Até que ela percebeu um aumento nos pedidos de guarda, feitos por tios, avós e outros parentes.

“Essas crianças estavam ficando órfãs sem uma representação legal. Pedi aos cartórios que me mandassem todas as certidões de óbito das pessoas que morreram por Covid e que deixaram herdeiros menores. Num primeiro momento, eles disseram que não conseguiam fazer esse recorte, então, eles me mandaram todas as certidões de quem morreu naquele ano de 2020. Foram mais de 3 mil, e foi um trabalho muito triste. Eu, uma estagiária e uma funcionária ficamos olhando certidão por certidão, separando todos os órfãos. Numa primeira leva, nós localizamos quase 500 crianças”, lembra Andrea.

A partir daí, o trabalho duplicou: as certidões continuavam chegando, e, ao mesmo tempo, era preciso localizar todas essas crianças, encaminhá-las para programas de assistência, checar se já constavam no Cadastro Único no Governo Federal e se as famílias já recebiam o Bolsa Família ou o Auxílio Emergencial. Era preciso ainda verificar se elas não estavam sendo vítimas de outras violações, além de terem perdido suas mães e pais. 

“A primeira delas é a separação de irmãos, né? As famílias numerosas separam os irmãos. Quanto aos bebezinhos muito pequenos, tem o problema de adoções ilegais. As meninas tinham situações de exploração de todas as formas, trabalho doméstico forçado, casamento infantil, abuso sexual… Em muitos meninos, a gente via o direcionamento para o tráfico ilícito de entorpecente ou exploração do trabalho infantil…”

Além dessas situações mais drásticas, Andréa enfatiza que toda orfandade aumenta a vulnerabilidade, especialmente nos casos minoritários de crianças que perderam tanto a mãe quanto o pai, ou daquelas que já eram criadas por mães solo, quantidade bastante frequente. Os profissionais de saúde que morreram e deixaram filhos eram numerosos, mas, como a pandemia escancarou desigualdades sociais, a maioria dos órfãos era de filhos de trabalhadores de limpeza, alimentação, transporte ou informais, que não puderam parar e se isolar em casa.

Diante de exemplos tão trágicos, a promotora buscava entender melhor a dimensão da orfandade causada pela covid-19 no Brasil, quando as primeiras estimativas globais sobre a tragédia foram lançadas por pesquisadores do Imperial College, de Londres, na Inglaterra, em julho de 2021. Andréa entrou em contato com os pesquisadores, contou sobre a sua experiência localizando os órfãos de Campinas e, a partir daí, passou a colaborar com o grupo de estudos, que é o mesmo responsável pelas novas estimativas. 

Cruzamento de dados

Graças ao encontro com Andréa, os pesquisadores puderam comparar o resultado dos modelos estatísticos com os dados da promotoria, e confirmar as semelhanças. Conheceram também outra ferramenta dos registros civis brasileiros, que é quase única no mundo. Desde 2015, as certidões de nascimento já são emitidas em conjunto com o CPF e, quando o documento é registrado, os cartórios associam o número das crianças ao CPF dos pais, o que permite o cruzamento de informações, inclusive em casos de orfandade. 

Com isso, a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen/Brasil) verificou que, de março de 2020 a setembro de 2021, 12,2 mil crianças de até 6 anos ficaram órfãos por causa da covid-19, com proporções similares de mortes maternas e paternas, e de ocorrências ao longo dos meses. Como os dados da Arpen cobrem apenas as crianças nascidas de 2015 para cá ou aquelas que tiveram a certidão de nascimento reemitida, não seria possível saber a dimensão da orfandade apenas por eles, mas os registros serviram para reforçar a validade das estimativas do estudo. 

“O objetivo é lembrar que, mesmo depois do fim da pandemia, nós precisamos de políticas públicas para dirimir as desigualdades provocadas pela pandemia, porque nós sabemos que algumas pessoas saíram em uma situação muito mais vulnerável que outras. Não houve um programa desenhado para essas crianças especificamente, e a sociedade não estava acostumada a essa magnitude de órfãos. Os programas que existem claramente precisam ser fortalecidos, porque temos um grupo novo de crianças e adolescentes, que não era esperado”, reforça a pesquisadora Lorena Barberia.

Fonte: Agência Brasil